9 de mar de 2011

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"confissões de Adolescente - Duvidas Traidoras"


Neste mesmo caderno ja escrevi que tenho duvidas em relação a você, e hoje vejo como a distância esclarece as coisas em determinados momentos,pois eu estava ate pensando em terminar, ou dar um tempo pra ver o que acontecia, como meu coração iria reagir com você longe, so que antes de fazer qualquer coisa, você me ligou e disse que precisava conversar comigo um assunto super serio, eu confesso que fiquei surpresa, você nunca disse nada assim e pior pelo telefone...
Depois disso não nos vimos mais... eu não terminei com você mais so de ter ficado esses dias longe ja estou sentindo falta de tudo que passamos e com muita saudades...enfim como posso pedir um tempo se alguns dias sem você ja e tempo demais pra mim, descobri algo que eu ja sabia mais por você estar sempre por perto acabou sendo esquecido,EU TE AMO,eu gosto da sua companhia, estar ao seu lado é sim muito importante pra mim so que por estarmos tão perto as demonstrações foram diminuindo, sei la eu nunca tive alguem que pudesse estar sempre ao meu lado e nisso eu acabei não sabendo quais atitudes tomar e para não perder o costume acabei errando novamente, acabei não demonstrando o quanto você é importante pra mim!!!
Quanto vale estar ao seu lado, o que compra a emoção que você causa dentro de mim...nada, exatamente nada...nada pode comprar sua voz ao meu ouvido ou pelo telefone, nada pode comprar o seu maior sorriso ou suas lágrimas, seus beijos, seu carinho, sua presença, seu cheiro, seus abraços que pra mim durariam pelo resto da vida, nada disso tem um valor determinado, porque jamais se pode comprar, jamais a sua companhia tera um preço, pois cada segundo do seu lado vale mais do que todo valor que existe nessa terra, pois pra mim ter você faz de mim uma pessoa de uma riqueza incomparável, sei la são coisas difíceis de explicar,complicadas de entender e que so acontece uma unica vez...
quando você encontra alguem que mesmo estando o Maximo do tempo ao seu lado, você sente saudade...quando você tenta esquecer e nessa tentativa lembra, quando a distância separa so para o amor aumentar e juntar novamente...quando mais nada é tão bom quanto estar com essa pessoa, e quando tudo isso acontecer você vai se pegar parado pensando...que sua vida não e mais nada longe dessa pessoa, que você ficou dependente dela, porque o seu próprio motivo de existir é ela!!!

♥ ♥ ♥

Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos.

Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada.
Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena.

Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam.

A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.

Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da
tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer.
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu.
Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente.

De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis.

Qual é? Morrer é um cliche.

Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em
casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas
cuido eu.

Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e
morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito.
Isso é para ser levado a sério?

Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo.
Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.

Só que esta não tem graça.

Pedro Bial